Você sabe do que sinto por você, do que o tempo não levou e do quanto sinto sua falta. Mas o que você não deve saber é que eu passo horas vendo suas fotos e concluo que por mais que você tenha mudado, seu sorriso de menina continua o mesmo. Essas palavras não sairão com a intensidade que meu coração deseja que saíssem e também não será neste texto (mais um) que chamará atenção pro que tenho a dizer. Mas hoje, só hoje, gostaria de escrever de forma exagerada como antigamente. De esquecer do tempo que passou e voltar a aquele tempo em que diferenciar amor não era tão difícil. Minhas palavras parecem tão comuns quando ditas tantas vezes de forma repetitiva. Não por mim, mas por tanta gente. Eu já não escrevo tanto, é verdade. Eu não preciso escrever pra demonstrar. Eu já te provei de todas as formas. Acho que você já esqueceu de tudo o que eu fiz, de tudo o que esteve ao meu alcance pra dizer sem ser em palavras o quanto eu te amo. Eu não queria voltar no tempo pra consertar os erros. Só queria lembrar em você o que tínhamos de bom, o que nos diferenciava. Não tínhamos muito, mas tínhamos o suficiente pra lidar com a distancia. E hoje o que restou… Ou o que não restou. Sinto sua falta. Tão comum falar assim, em uma frase de três palavras. É, mas eu sinto sua falta há 3 anos. Parece pouco tempo, mas aconteceu muita coisa nesses 3 anos. E em cada queda, cada porrada que eu levei, só pensei em você. Mas você não viu, não percebeu e muito menos sentiu tudo o que passou nesse tempo. Eu cresci, você cresceu e também esqueceu daquele nosso tempo. Mas eu não esqueci. Então me deixa falar como aquele jovem de antigamente, que fazia de tudo pra chamar sua atenção, que inventava histórias só pra ter algum assunto pra falar com você. Deve ser mais fácil acreditar no amor de alguém que está presente diariamente em sua vida. Mas eu sempre estive presente, presente e distante. Em cada texto, em cada oi que eu te dei mesmo sem saber o que falar, nas mensagens de celular sempre ignoradas por você. Em toda situação. Eu sempre me fiz presente só pra dizer que você faz tanta falta, que eu nunca mais senti o que eu senti por você. Eu te amei como quem esquece de amar a si próprio só pra fazer loucuras pela amada. E eu fiz tanta coisa por você que palavras não darão (e nunca deram) a intensidade necessária pra fazer de minhas ações especiais como, de fato, eram quando se tratava de faze-las por você.
Vandergar
“Gastei muito tempo esperando aquela segunda chance por uma oportunidade que deixaria tudo bem. Sempre há um motivo para não se sentir bem o suficiente. E é difícil no fim do dia. Eu preciso de alguma distração ou uma boa noite de sono.”
As lembranças ficam vagando na mente, sempre as mesmas. Sentir-se vazio parece uma boa forma de esquecer por um tempo, mesmo que seja por uns dois ou três segundos. E quando não dá pra esquecer, é preciso inventar alguma coisa pra não sentir aquele desespero de antigamente, de saber que a vida pesa muito quando se está sozinho. E já faz tantos anos que estou só… Não que antes eu tivesse alguém, mas sentir-se só é diferente de estar só. E antigamente eu não me sentia sozinho. Viver pra esperar o tempo passar parece uma forma de vida burra, será que vale a pena viver assim? Burrice seria desistir da vida. Mas as vezes fico em dúvida se essa forma de vida que levo já não seja uma desistência. Acho que não. Eu não desisti da vida, só abri mão de algumas coisas que ela tem a me oferecer. Eu ainda tenho outras coisas pra viver, só não quero mais dividir a vida com mais ninguém. Claro que isso torna a vida um pouco pesada por ter que carrega-la sozinho. E vai ter dias que eu vou sentir as mãos arderem, o desespero de olhar pros lados e ver que realmente não tenho ninguém a vista. Eu não sei como será minha reação nesses momentos, mas enquanto eu tiver controle sobre a maior parte dos momentos, com certeza sobreviverei aos que venham seguidos de desespero por não ter. Não foi uma opção minha não querer ter mais alguém pra compartilhar a vida, foi uma decisão que fui obrigado a tomar quando resolvi acordar pra a realidade. E ela me dizia que não seria qualquer pessoa que preencheria o vazio de alguém que um dia se foi da minha vida, mas sim a mesma pessoa que abriu esse vazio. Como peça de quebra-cabeça onde não vai ser qualquer uma que vai se encaixar no tabuleiro, mas sim aquela que tem a forma certa que preencha aquele espaço. E no meu caso, essa peça sempre foi a mesma pessoa de sempre. Se o tempo passou, se a nossa história deixou de ser algo lembrável, eu deixo ela aqui em palavras pra não se perder tanto no tempo, quando o próprio tempo vier a passar mais e mais. Quando novos anos chegarem e deixar mais pra trás o que poderia ter dado certo. Eu vou lidar com a saudade como estou lidando com a falta que a vida trouxe com a sua partida. Mas saudade não é algo de se lembrar, mas sim de se sentir. E hoje eu estou sentindo tanto a sua falta…
Vandergar
Não diz que eu não insisti, que eu não tentei o suficiente. Não sabes do tanto de coragem que coloquei pra abrir mão, do quanto ainda penso no dia de hoje. Mais um que eu poderia estar me fazendo presente em sua vida. Mas não, apostei na desistência pra ver se mais na frente a vida me surpreende com sua presença. Porque se eu não posso me fazer presente, também não quero mais falar de saudade como um assunto frequente na minha vida. “Se eu não posso dizer que eu te amo, eu prefiro não dizer nada.” Mas mesmo calado, eu não parei de sentir sua falta.
Vandergar
Aguente cinco segundos embaixo d’água. Se conseguir, tente suportar dez. Se conseguir também, dará pra aguentar a vida toda. A ideia inicial é resistir alguns segundos. Conseguindo, você terá o domínio necessário para suportar. Já não afetará tanto como na primeira vez. Claro que isso é uma metáfora mal feita, mas que se entendida só quer dizer que dá pra aguentar certas realidades da vida, dá pra ver algumas coisas que fazem mal ver e ficar bem. É só questão de resistência. Encarar por cinco segundos. Se ainda doer, encara o tempo que for necessário para se tornar algo comum de ver. Uma hora você vai acabar rindo de tudo o que viu. É respirar fundo, encarar como uma realidade causada por nossas ações, ter a razão necessária pra aceitar e suportar em silêncio o que não dá pra mudar. Não é perda de tempo usar o tempo pra criar resistência á aquilo que machuca quando a gente vê. É apenas uma forma de aprendizado. Uma hora você aprende a suportar as porradas e começa a bater. Eu vou aprender. Em legítima defesa, ao valor da minha vida, eu vou aprender. Uma hora você percebe que o que era prioridade, na verdade, não passava de uma vaidade pra não estar só. Mas quando nos acostumamos com a solidão, a vaidade some. Já não é tão importante assim. Amar vira um ponto final ou uma reticências, varia muito de coração pra coração. Nada que com o tempo não possamos dominar. Você verá que com o tempo, o coração não bate tanto, vai diminuindo como os carros diminuem ao avistarem o sinal amarelo. E a gente se acostuma a não sentir mais o coração bater como antigamente. Porém quando bate é de uma forma desagradável, chega a ser dolorosa. Se bater pela mesma situação que pelo tempo já deveria estar no passado, é porque ainda existe algum sentimento ali. E quando isso acontece comigo, eu tento ver onde to errando pra criar essa resistência que tanto preciso. Mas eu to sempre errando em algo e acabo machucando o peito com essas batidas em vão. Então eu começo com cinco segundos suportando. Quando dá pra suportar esse pouco tempo, eu aumento na esperança de que uma hora não bata mais, não dá forma que me faça pensar, desejar ter alguém que já não faz mais parte da minha vida. Quando eu aprender a não sentir tanta falta, aí sim estarei pronto pra viver e ser feliz. Se não der pra esquecer, que pelo menos fique em uma parte da mente que não faça o coração sentir tanto, pedir tanto por você.
Vandergar
O foco virou o trabalho, a força tem sido usada pra levantar diariamente e a fé é de chegar em casa vivo. Mas eu to cansado. Pior que o cansaço físico é o cansaço mental. Quando a mente para de pensar, quando o coração para de sentir é que percebemos que estamos oco por dentro. Não é uma sensação agradável. Ter um dia corrido, cansativo e chegar em casa só com a certeza de que amanhã será mais um dia pra se manter vivo no emprego, sem garantia de um futuro, de uma vida. Só vivendo pra trabalhar, só pra sobreviver… Essa falta de perspectiva de vida me dá uma série de caminhos pra seguir. Todos iguais, mas em direções diferentes. Uns caminhos levam pro mesmo lugar, outros pra algo que não sei o que esperar. A vida ta uma verdadeiro labirinto e eu que sempre tive tendência a perdição, estou no limite dos meus erros e nas consequências que eles trouxeram. A vida teria sido diferente se eu os tivesse evitado, mas lamentar agora não adianta muita coisa. Alias não adianta nada… É como correr na chuva achando que assim não irá se molhar tanto, mal sabendo que é em vão, que você chegará ensopado em casa. Porque as coisas que buscamos fazer pra evitar consequências, vem com um dobro de consequência. Talvez não seja “consequência” a palavra certa pra descrever, mas eu to cansado pra tentar definir isso. A vida passou de estação para trem, de parada pra correria. Uma correria que não dá pra lugar nenhum. Correr sem sair do lugar, só pra não perder o que hoje faz a minha vida, o trabalho.
Vandergar
Dizem que pra esquecer um grande amor é preciso encontrar outro grande amor. Como se fosse fácil achar alguém que te cause aquele terremoto, que bagunce tudo por dentro e que venha pra colocar em dúvida o sentimento que você tinha por aquela pessoa que partiu de sua vida. Não é dobrando a esquina, olhando pros lados ou em volta que a gente encontra alguém especial. Não vai ser procurando em qualquer olhar que a gente vai encontrar alguém que nos faça ver que o que a gente sentia por aquela pessoa que partiu não era amor, já que amar é um sentimento único que se estende apenas a uma única pessoa. E quando amamos novamente é que percebemos que não amávamos de verdade quem, agora está no passado. Mas eu não achei essa pessoa que colocasse em dúvida os sentimentos que tenho por quem já partiu há tanto tempo. Na verdade, eu não tenho procurado tanto e as pessoas que eu encontrei não conseguiram sequer colocar em dúvida se eu amei mesmo ou se foi mais uma mentira involuntária trazida pelo tempo. Perdi o presente na tentativa de recuperar o passado. Eu me desgastei tanto que hoje a minha vontade é de dar passos largos, sem deixar ninguém chegar e nem me acompanhar nessa vida. Eu decidi me fechar, não mais me envolver, não deixar que ninguém venha a gostar de mim. E quando sinto que isso pode acontecer, eu me afasto. Eu passei a ser alguém pra não amar, pra talvez ser porto seguro, mas não moradia. Eu sinto a monotonia dentro de mim, como se já não fosse mais eu o dono de minhas ações. Tenho me sentindo um pouco robô, sem sentimentos, sem expressão e sem uma vida que me proporcione emoções. E não há dúvidas de que se eu perdi toda a essência da vida ou à vontade de vivê-la, foi logo após sua partida. Acho que amei mesmo, amei de verdade e quando perdi senti o desespero, a impotência, a falta de argumentos para que eu pudesse pedir pra que não partisse. Eu não lutei tanto antes como agora eu procuraria lutar, eu não me arrisquei, eu não fiz metade do que meu coração me pediu pra fazer e quando acordei, percebi que era tarde demais.
Vandergar
Já não escrevo tanto como antes. Na verdade, não sinto mais vontade de escrever. Deve ser o tal do “acostumar-se” com as situações da vida. Já não parecem tão tristes como no inicio. Já não dói mais, já não traz tantas lembranças, nem saudade. Eu estaria mentindo se eu dissesse que esqueci, mas também não lembro tanto assim. Não que eu tenha aceitado, porém me acostumei. É inevitável a lembrança diária. Uns dias o pensamento é tão rápido quanto a passagem dos segundos, mais velozes que milésimos. Mas na grande maioria dos dias são demorados e inundam quando mais quero não pensar. Achei que no trabalho eu nem lembraria de sua existência. Irônico, alguma coisa que eu não sei dizer te coloca novamente presente em minha vida. Pode ser a própria vida querendo dizer algo, destino talvez, enfim. Eu não acredito nessas coisas. Pode ser só coincidência, uma maldita coincidência. Coincidência que faz lembrar o que eu demoro pra esquecer em um dia. É viver os dias superando, ocupando a mente pra não deixar nenhum espaço pra um vacilo de pensamento que leve ao que tanto traz saudade. É claro que a vida não é mais a mesma. Alguma coisa se perdeu, as coisas não são como antes e eu fico pensando até quanto isso pode ter me feito mudar diante das pessoas, o quanto elas notam a minha indiferença para os assuntos que elas consideram importantes. Até a palavra “importante” não parece ter tanta importância assim. Eu mudei. Olho no espelho e não me reconheço, mas aceito. Aceito por algum motivo, por alguma força que me diz pra deixar como está. Não mais procurar e viver pra esquecer. Quando a saudade bater, eu vou saber levar da melhor forma. Eu vou ficar são mesmo se for só, não vou ceder.
Vandergar
Meus avos viveram uma época em que quando algo quebrava, eles tentavam consertar e não jogar fora. Quando um sentimento se partia e a dúvida aparecia, eles tentavam reciclar. Eu me criei ouvindo que amar é pra sempre até o pra sempre acabar. E isso só acontece quando pararmos de respirar, quando o coração deixar de bater. Por enquanto eu respiro e vivo, vivo com a lembrança de te amar, com a saudade que sua ausência traz. O seu silêncio tem muito a dizer e não eu não gosto do que ouço, do que leio e do que vejo. Eu faço tudo pra chamar sua atenção, acho que até consigo chamar, mas nada mais que isso. Eu me repito, mas finjo estar escrevendo pela primeira vez e não preciso dizer pra quem escrevo, todos sabem que é pra você. Eu não preciso citar nomes, eu não preciso citar nada. Rimo amor só com você, assim fica fácil saber. E importa saber se quando o tempo passa e o que era vida se torna uma história das antigas, que a folha mofa e sobe aquela poeira tipica de livro abandonado no baú do tempo. Eu tenho vontade de pegar o livro de nossa história, rasgar em mil pedaços e reciclar. Mas no tempo de hoje é mais fácil pegar um livro novo e escrever uma nova história. E se tentássemos reciclar o que ficou de bom, se tentássemos pegar uns pedaços do antigo e colar num novo livro. Ficaria um livro remendado, mas com uma bela história, enfim. Eu só queria crescer ao seu lado, dar um final que não terminasse em caminhos opostos e uma história que poderia ter dado certo se ao menos tivéssemos tentado. A vida não acabou, temos tempo. Espero algo inesperado: Voltar a ser seu namorado ou me arrepender de não ter pego um novo livro e tentado escrever outra história. Mas escrever outra história pra que? Se sucesso mesmo faria um livro da minha vida se a personagem fosse você.
Vandergar
Como esquecer quando a gente convive com uma pessoa diariamente que lembra aquela que queremos esquecer. Irônico, a vida me apresenta novas situações com lembranças passadas. Ter uma colega de trabalho da mesma cidade que eu gostaria de estar, é trazer aquelas lembranças, aquele sorriso, aquela pessoa que tanto amo pra perto. Eu vejo aquela menina, vejo seu sotaque, seu jeito e os pensamentos são direcionados a quem está longe, tão longe… E eu acabo sendo pra ela o que eu seria pra aquela guria que ta lá. Vivendo, amando e esperando ser feliz. Eu sou brincalhão, eu pergunto sobre Brasília, eu falo de Salvador, eu brinco com as gírias, falo do jeito azuado que falamos aqui. Eu olho pra ela e vejo quem está distante. Mas eu sei que eu seria assim. Como se fosse um ensaio e essa colega de trabalho fosse a minha personagem preferida, a dona da minha vida. Deve ser estranho pra ela, ela deve achar que estou dando em cima. Eu queria contar essa minha história doida, isso explicaria o meu jeito palhaço, brincalhão, sempre auxiliando e dando apoio no trabalho. Talvez assim ela entendesse minhas perguntas sobre sua cidade, sobre como é a vida lá. O que eu sei sobre ela? Nada, só que ela veio pra cá morar com o namorado baiano. Poderia ser o futuro de minha história passada se não fosse as curvas que nos separaram. No trabalho eu penso que esqueço da minha guria, e ela está tão presente no jeito, no sorriso, na fala dessa brasiliense que mudou de cidade pra ser feliz com quem amava. A vida parece me dar sinais e eu não sei decifrar, não sei o que fazer. E eu só lamento por perder a cada dia um pouco mais de sua presença, de suas palavras, de seu amor que já se perdeu no tempo, se renovou e mudou de casa, mudou de pessoa. Direcionou pra onde não mais estou.
Vandergar
Estou inventando qualquer coisa pra falar, pra só permanecer. Eu preciso disso, preciso dizer com qualquer palavra que eu estou aqui pra você. Eu posso ser insuportável, você pode me odiar pelo meu jeito exagerado de dizer que te amo. Mas a gente nunca sabe do dia de amanhã. Eu só não sei como permanecer, já não tenho armas pra lutar nessa batalha da qual eu já perdi a tantos anos. Mesmo assim eu não queria desistir, não quero te perder de vista. Qualquer coisa pra permanecer, qualquer palavra que eu tenho buscado só para que soubesses que eu estou aqui, sempre estive aqui pra te dizer que to contigo até o fim.
Vandergar